“O malabarista é uma síntese do conceito de território. É alguém que administra três objectos num território para apenas dois.” – Cildo Meireles
O que significa hoje: Território? Transgressão? Síntese?
Quem são esses malabaristas? Onde os podemos encontrar?
Caminhando sucessivamente entre margem e centro, esse malabarista é um indivíduo em permanente transgressão. Opta por habitar territórios em disputa, criando movimentos nascidos no dissenso, e ensaiando essa transgressão. Nas suas mãos os elementos não repousam, mantendo-se em constante movimento e permanentemente reequacionando as relações que estabelecem entre si.
“Além margem(s)” pretende evidenciar a importância da transgressão na síntese do conceito de território. Sintetizar esse conceito é, antes de mais, questionar uma só perspectiva, quando efectuada a partir de um centro, e forçando-a a outros deslocamentos que emanem também das margens. Os trabalhos aqui reunidos trazem-nos outros olhares, outras perspectivas, outros caminhos. Um trânsito construído por objectos, que enquanto circulam por entre as mãos do malabarista nos permitem alcançar outro entendimento sobre o conceito de território.
O objectivo (deste projecto) é o de possibilitar o diálogo dentro de um conjunto de obras seleccionadas e que partilham entre si mais do que um espaço fisico. Confrontam-se também experiências de transgressão, em particular dos artistas envolvidos e a sua relação com um território novo – um território hibrido e expandido, composto por múltiplas Lusofonias que se digladiam por visibilidade.
“Da adversidade vivemos!” – Hélio Oiticica
Em Além Margem(s) aborda-se essa noção da transgressão como estratégia de resistência. Ser-se contra, visceralmente contra, mesmo quando nos confrontamos com a necessidade de se viver junto em regimes de precariedade. Resgatam-se assim as Heterotopias de Foucault, esses contra-espaços que (ao contrário das utopias de More) efectivamente existem, sobretudo como espaços de resistência e contestação aos espaços reais.
A resistência inerente a algo que ensaiando um movimento de fora para dentro força um confronto. Uma resistência particular e na qual o artista se assume como o malabarista de Cildo Meireles, coabitando com as normas definidas por um centro mas agindo a partir das suas margens, estabelecendo relações e conceitos que questionam os valores transmitidos pelo mesmo território onde os reclama.
É a procura de afirmação através diversidade, da criação de significado e da transgressão, num espaço onde cabem dois elementos e no qual estes artistas procuram fazer caber um terceiro, um quarto, um quinto…
Lisboa, Setembro de 2013
Carlos Alcobia
“O malabarista é uma síntese do conceito de território. É alguém que administra três objectos num território para apenas dois.” – Cildo Meireles
O que significa hoje: Território? Transgressão? Síntese?
Quem são esses malabaristas? Onde os podemos encontrar?
Caminhando sucessivamente entre margem e centro, esse malabarista é um indivíduo em permanente transgressão. Opta por habitar territórios em disputa, criando movimentos nascidos no dissenso, e ensaiando essa transgressão. Nas suas mãos os elementos não repousam, mantendo-se em constante movimento e permanentemente reequacionando as relações que estabelecem entre si.
“Além margem(s)” pretende evidenciar a importância da transgressão na síntese do conceito de território. Sintetizar esse conceito é, antes de mais, questionar uma só perspectiva, quando efectuada a partir de um centro, e forçando-a a outros deslocamentos que emanem também das margens. Os trabalhos aqui reunidos trazem-nos outros olhares, outras perspectivas, outros caminhos. Um trânsito construído por objectos, que enquanto circulam por entre as mãos do malabarista nos permitem alcançar outro entendimento sobre o conceito de território.
O objectivo (deste projecto) é o de possibilitar o diálogo dentro de um conjunto de obras seleccionadas e que partilham entre si mais do que um espaço fisico. Confrontam-se também experiências de transgressão, em particular dos artistas envolvidos e a sua relação com um território novo – um território hibrido e expandido, composto por múltiplas Lusofonias que se digladiam por visibilidade.
“Da adversidade vivemos!” – Hélio Oiticica
Em Além Margem(s) aborda-se essa noção da transgressão como estratégia de resistência. Ser-se contra, visceralmente contra, mesmo quando nos confrontamos com a necessidade de se viver junto em regimes de precariedade. Resgatam-se assim as Heterotopias de Foucault, esses contra-espaços que (ao contrário das utopias de More) efectivamente existem, sobretudo como espaços de resistência e contestação aos espaços reais.
A resistência inerente a algo que ensaiando um movimento de fora para dentro força um confronto. Uma resistência particular e na qual o artista se assume como o malabarista de Cildo Meireles, coabitando com as normas definidas por um centro mas agindo a partir das suas margens, estabelecendo relações e conceitos que questionam os valores transmitidos pelo mesmo território onde os reclama.
É a procura de afirmação através diversidade, da criação de significado e da transgressão, num espaço onde cabem dois elementos e no qual estes artistas procuram fazer caber um terceiro, um quarto, um quinto…
Lisboa, Setembro de 2013
Carlos Alcobia